Entre a simplicidade e o exagero: o dilaceramento do corpo na obra de Takato Yamamoto
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20778388Keywords:
Wabi-sabi. Basara. Grotesque. Formless. Heterology.Abstract
Este artigo analisa a obra do artista japonês Takato Yamamoto (1960), posicionando-a como um ponto de confluência entre tradições estéticas japonesas e o pensamento ocidental sobre o corpo e o grotesco. A partir do estudo de suas pinturas, contextualizadas pela tendência cultural do ero guro nansensu, a metodologia adota uma abordagem de análise iconográfica e comparativa. Em um primeiro momento, as composições são interpretadas à luz dos conceitos de wabi-sabi (a beleza da imperfeição) e basara (a extravagância subversiva), para em seguida estabelecer um paralelo com a obra de Hans Bellmer (1902-1975), examinando as afinidades poéticas no tratamento do corpo desarticulado. Para aprofundar a discussão, o estudo se ancora na fundamentação teórica de Georges Bataille (1897-1962), a partir das noções de informe e heterologia. A análise demonstra que a poética de Takato Yamamoto opera pela conjugação de elementos conflitantes, ao romper os limites entre o corpo e o espaço que este ocupa. Conclui-se que suas pinturas ressignificam o grotesco ao assinalar, simultaneamente, o êxtase e a efemeridade da existência, situando o corpo em um limiar paradoxal entre a ordem e a desordem.